Roubarei uma ideia que ouvi da boca de duas pessoas: Marcos Piangers e professor Maurinto. Diziam eles – acredito que sem conhecerem um ao outro – que o [estrondoso e megalomaníaco] número de votos que o candidato Tiririca teve simbolizava uma espécie de protesto. No sentido em que o eleitor paulista falava Cansei disso tudo, dessa latrina em que o País esta se tornando. E, logo em seguida, apertava o 2222 [número do candidato em questão, que ficou imortalizado por um jingle desses clássicos de campanha].
Conversando sobre isso com um influente formador de opinião aqui do sul, minha ideia (na verdade, do Piangers e do Maurinto) foi defenestrada por este meu amigo. Ainda sim, não mudei de opinião. Pelo fato de que prefiro ter essa ingenuidade – de pensar que o voto no Tiririca seja um voto de protesto – do que ser mais lúcido e me conformar com a falta de preparo da democracia nacional. Penso até que essa minha ingenuidade seja mais uma torcida do que um pensamento. Torço mesmo para que os votos que ele obteve sejam votos de protesto, pra acabar com o governo atual e começar um novo. E estou impressionado comigo mesmo por eu ser muito pragmático e estar pregando essa ideia que é um bocado utópica. E, sinceramente, Tiririca nem é o problema.
Defendi a possibilidade de o Tiririca fazer campanha – antes do caso do suposto analfabetismo do mesmo – e fui violentamente exortado por isso. Para ser mais [chato e] exato: defendi a não extirpação da campanha dele. Pois não há [ou não havia até o suposto analfabetismo] motivo algum para não deixá-lo se candidatar. Só por que ele é um palhaço? Só por que usa da comicidade pra fazer a sua propaganda política? Ora! Mais cômico que o Tiririca era o Enéias – que, aliás, foi o único a superar os 1,3 milhão de votos. Muitos deles eram petistas que elegeram um metalúrgico. Os próprios estadunidenses elegeram um ator para presidente na sua história, e nem por isso ele foi um péssimo ingerente. Até mesmo Clodovil teve seu destaque: foi um dos únicos a colocar ordem na bagunça barulhenta que é constante na Câmara. Além de, claro, dar uma das mais belas alfinetadas no Paulo Maluf.
Entretanto, entenda: nunca fui a favor da eleição do Tiririca. Acho que há protestos muito melhores do que votar num suposto analfabeto que tira sarro do seu eleitorado. Só nunca fui contra a não possibilidade de ele fazer campanha – até por que não há uma razão para tal [lembre-se que o analfabetismo dele é uma suposição até o momento]. E confesso que fiquei indignado com a colocação dele, mas, para não me encher de problemas que nem são meus, quero acreditar que ele seja o cara pintada do séc. XXI.
Vai, Tiririca! Pior do que tá... agora fica.
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