Eu devo estar enlouquecendo. Conheço a história de um homem (se eu não me engano, ele era um compositor erudito) que estava enlouquecendo com consciência. Se for pra eu enlouquecer, que seja assim: lúcido como esse compositor, cuja obra não conheço, mas reconheço sua bravura. Enlouquecer com lucidez não deve ser fácil. Há algo fortemente paradoxal. Loucura e lucidez são como água e óleo. Independente disso, acho que estou enlouquecendo. E se noto estar ficando louco, não o sou por completo ou sou um louco lúcido. Prefiro a primeira opção, mas não é da minha escolha.
Pensei em chutar o balde. Não no suicídio, mas largar tudo. Viver da monotonia. Morrer de tédio e descompostura. Deixar minha corcunda crescer e não me preocupar em ficar careca cedo (coisa de família). Quem sabe até admitir um riso durante Zorra Total. Chega de imagem, chega de exposição. Me dêem livros, papéis, canetas, cigarros, água e comida que eu vivo bem. Cansei de me cansar. Quem sabe admitir um erro de português? Melhor que isso: vou passar a admitir que não sei inglês e não tenho nenhum interesse. Que bobajada essa globalização. I don’t care! Me processem, me xinguem, me difamem; to cagando e andando!
Entretanto não se importem com a opinião de um louco. Eu não mereço, e nunca mereci credibilidade. Ninguém nunca mereceu. É mais difícil guardar os próprios segredos do que os dos outros. E é mais fácil lidar com uma má consciência do que com uma má fama. Coisa de ditado popular.
Foda mesmo é eu ter que esperar a calada da madrugada pra eu brotar a caneta. Meu sono me despe e faz mostrar as partes mais sórdidas do meu ser. Faz-me revelar minha loucura e me faz transpirar o ódio e a desconfiança no ser humano.
Posso estar sendo negativista. Posso estar revoltado. Pode ser nada disso. Pode ser tudo isso junto. O fato é que eu não sei, e ninguém há de saber. O fato é que eu devo estar enlouquecendo.
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