sábado, 29 de maio de 2010

Do protesto e a ode à Pátria

Há quem diga que, “se chegarmos ao poder, seremos corruptos exatamente iguais à maioria de nossos políticos”. Não trabalho com possibilidades. Se meu pai fosse milionário, eu não viveria da escrita. “Se nós chegássemos ao poder”? Vejo isso como uma obrigatoriedade para ser corrupto. Sabe-se que não é. Podemos ser corruptos sem “chegar ao poder”. [Não leve como ensinamento, mas sim como citação] Você pode furar uma fila, pode roubar o dinheiro da mãe, pode colar na prova, pode mentir em um tribunal, pode fazer inúmeras coisas prosaicas e corromper uma ordem. Somos naturalmente corruptos para nosso favorecimento. Em outras palavras: nossa grama é sempre a menos verde, por isso usamos a água do vizinho. Fazemo-nos de coitadinhos para passar bem.

Voltando à política. A nossa posição - fora da atuação política -, não justifica nossa falta de ação. Não é por que eu não estou na política e não sei como é ser tentado através do dinheiro que não vou protestar. Muito pelo contrário. Quem não nunca foi tentado que deve protestar, já que, dos tentados, muitos cederam.

Numa espécie de silogismo, segundo a ordem dos “se chegarmos ao poder, seremos corruptos”, os professores nunca deveriam corrigir uma prova, porque eles também erram.

Ridículo! Devemos protestar contra a corrupção política e contra a nossa. Sobretudo contra a nossa. Penso eu que a tribo “seu chegarmos ao poder, seremos corruptos” é defensora da libertinagem política. Ótimo então, que tenhamos um País sitiado. Ou que essa tribo tenha, para que mude e aprenda.

O povo tem poder de governo sob os governantes, ainda que na teoria.

Li, ouvi e vi várias pessoas contra o Brasil. Na entoação do hino nacional “é batata”. Sempre há pessoas que não prestam o devido respeito. Andam, conversam, riem, ficam sentados e até dormem durante o hino. Errado! Em nenhum momento da nossa sociologia a política se confunde com o patriotismo. Logo pelo contrário. Na época da ditadura havia um respeito e um amor à Pátria. Irônico, mas havia. Quando os militares combatiam um protesto, os protestantes cantavam o hino e enrolavam-se na bandeira nacional evitando, assim, que o militar batesse nele. Evitava nada. Só em teoria. Mas a atitude, bem como o protesto em si, é muito louvável. Pena que exista a necessidade de maus tempos para que o povo aprenda a amar seu país.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Arrependimento ao arrependimento do protesto.

Poderia não me viciar?
Não aos teus olhos!
Não a tua boca!
Não às seduções!
Não a ti!

Nos autos, farei menção a tua tortura
Nas odes, citarei minha cumplicidade
Na vida, deixo escorrer teus lábios
Na noite, escreverei teu nome
Nem que, para isso, desenhe num quadro
Em minha mente,
Como minha caneta: meu dedo
E meu argumento: teu erro.

Poderia não me viciar?
Abaixo as palavras!
Abaixo os versos!
Abaixo as prosas!
Abaixo o teu nome!

Nos álbuns, rasgarei as fotos
No divã, arrepender-me-ei
Nos livros, escreverei teu nome
Com sangue, escrevê-lo-ei.

Agora vejo:
Não que não pudesse.

Antes, não devia.