quarta-feira, 16 de março de 2011

Fui a uma festa.

Não vou dizer qual, porque não estou ganhando o que mereço pra fazer propaganda, mas fui a uma festa num lugar bem conhecido em Porto Alegre. Tampouco tenho a mania ou a pretensão de ser diferente do resto do mundo - esta, ironicamente, é a primazia da moda atual: ser diferente; em outras palavras: a moda é não seguir a moda dos outros -, mas acontece que eu não gosto de festas. Se o Facebook [e este - sim - eu cito o nome já que não tenho nem como negociar a imagem deles aqui no Blogue pra eu lucrar um pouco] fizesse um botão “não curtir” - ideia de um amigo meu -, eu clicaria este botão “não curtir” no perfil “Festas”.
O que me leva a elas é que eu fico, não me pergunte como, devendo a minha presença aos meus amigos. Em suma: sempre me convidam, eu nunca vou. Chega uma hora em que é ir ou ir [há, claro, a possibilidade de eu não ir, mas não gosto da ira dos meus amigos]. Então eu vou!
Quase sempre, chego ao local e penso: “que m**** estou fazendo aqui?”. Não sei dançar, admito que tento, mas não sei; não gosto de lugares onde não se possa conversar; e não gosto de ver o eu-bêbado das pessoas. Ainda nessa última festa, comentei que nunca tinha visto o Joaquim [pseudônimo] bêbado. Fui vilipendiado por todos a quem falei isso. “Como assim, tu nunca viu o Joaquim bêbado?!”, nunca tinha visto, e digo: era, no mínimo, vergonhoso. Mas isso é normal – o fato de ser vergonhoso -, ninguém dá orgulho a alguém estando bêbado, o que não é normal é eu não ir a festas por não gostar de ver gente bêbada – ou de me expor bêbado, que seja.
E é isto que as pessoas acham de alguém que não vai, mais do que isso, não gosta de ir às festas: um estranho. Mas a estranheza não me incomoda. Nunca entreguei meu bem estar ao julgamento dos outros. Minha felicidade no meu modo de ser não está sujeita à opinião alheia. Mas, ainda que me achem estranho, exigem minha presença em tais lugares. EXIGEM, essa é a palavra! Meus amigos exigem, são mui exigentes; e como sou daqueles que dá um boi para não entrar numa discussão - mas uma boiada para não sair dela –, lá vou eu, com o rabo entre as patas, “curtir” uma festa.

domingo, 6 de março de 2011

Pêndulo

A brevidade das coisas me preocupa. Há tanto tempo para ser usufruido e usufruimos dele correndo. E não falo aos empresários, aos diplomatas, aos executivos, aos ocupados... falo a todos! Pois até os desocupados cumprem suas desocupações às pressas no momento em que se vive. E mais do que dinheiro, tempo hoje é raro. É raro eu me encontrar com os amigos, é raro eu desfrutar de um bom CD inteiro, é raro [e acho que esse ano não consegui ainda] reunir a minha família na mesma mesa para comer ou, simplesmente, conversar.
Tantas pessoas já falaram disso. Há centenas de livros para ficar falando e falando sobre a falta de tempo do ser humano contemporâneo, mas quase nunca [ouso dizer nunca] estes livros fazem sucesso, porque, claro, eles dispensam muito tempo para lê-los. Mais do que pensar no tempo que estou gastando, penso no que eu estou gastando esse tempo. É de qualidade o que estou fazendo? Vai render frutos o que eu estou fazendo quando eu tiver um momento raro de liberdade? O mais irônico é isso. Investimos o nosso tempo a fim de aprimorar o tempo que teremos livre, só que investimos tanto que esquecemos que o tempo da liberdade existe. E quem já esqueceu disso, cá estou para lembrá-lo.
Explico: eu estudo; uma das minhas motivações, claro, é o dinheiro [ainda que não seja a maior motivação], pois estudando em uma instituição de qualidade e multiplicando minhas ideias, penso que, no futuro, terei mais destaque para trabalhar em um lugar melhor, logo ganhar mais dinheiro; a grosso modo é isso. Só que estudo [ao menos procuro estudar] tanto que esqueço de que há um mundo fora da faculdade. Há mais liberdade do que eu penso. E por mais que eu não goste dessa realidade, a Internet não me leva a todos os lugares do mundo, como se vende.
Há de se rever isso! O capitalismo está corroendo-se de dentro para fora, e quando ficar só na casca, temo pelo terror. Não faço discuso comunista, tenho minhas opiniões sobre isso, mas guardo-as pra mim. Acontece que há de se rever isso. É necessário pelo menos. Sobretudo agora que, talvez [e o “talvez” é uma esperança] podemos reverter a situação caótica em que estamos contidos. Há, e eu sei que há, gente que acha exagerado dizer que a situação é caótica, mas é! Ainda mais pelo fato dela ser discreta; por isso acham um exagero falar assim.
E o que me entristece é que não tenho como solucionar, na minha doutrina pragmática, essa situação, pois, claro:
- Desculpa, não tenho tempo!