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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Contra a frieza das teorias.

Cuidado com as teorias! Todas elas tiram o “eu-lírico” da existência. As de Física disseram que as cores dependem do reflexo da luz. As de Química disseram que a transformação de estado físico depende das agitações de moléculas. Lavoisier ensinou-me que “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.
Nenhuma, entretanto, me entristece mais que a teoria dos sons. Qual mal vê a Física em deixar-nos a dúvida de como vêm os sons? Que maldita inspiração do homem querer explicar tudo! Explica e tira a beleza. Alguns, mais ousados que eu, chamam de “robotização do homem”. Eu chamo de frieza humana.
Que se levantem as bandeiras da dúvida! Que o homem aprenda que o maior amor é o não realizado e que a dúvida não é utópica. Que o homem desaprenda e veja, nas teorias, a beleza da poesia.

Contento-me, ainda que não tão feliz, que o infinito não é concebido na mente humana, e que nunca seja para que possamos ficar estarrecidos de que há o infinito em tudo; do cada vez maior ao cada vez menor.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Minha caixa de som

Minha caixa de som faz som, é caixa. Encaixa, na caixa do som que transmite sons de caixa, se eu quiser. Podem ser só caixas, para um surdo. Podem ser só som, para um cego. Pra mim, são os dois: caixa e som, som e caixa, som na caixa. Tão mágicos seus diversos barulhos. Tão diversificado seus vários formatos. Que figuras tão mágicas as caixas de som! Misturam dois sentidos que são tão separados, mas, por elas, são tão unidos! Queria ter sua praticidade, queria ser tão diverso, invejo sua modalidade e admiro sua obediência.