sábado, 30 de outubro de 2010

De como as mulheres funcionam – Parte #2

Antes de começar, quero requintes de crueldade. Fui exortado por algumas mulheres por estar escrevendo uma série que fala delas. Ora! Quem vocês queriam que escrevesse? Uma mulher?! Dois tipos de pessoas não confiam em mulheres: homens e mulheres. Vocês iriam puxar o saco de si mesmas (ainda que não o tenham). Portanto, contenham-se e contentem-se, posto que eu não sou de difamar o privilégio de vocês; logo o contrário, exulto a divindade que há em vocês! Não me venham, então, reclamar aos meus ouvidos.

Duvido que alguma mulher venha reclamar a mim por falar que elas iriam puxar o saco delas mesmas. É fato consumado! As mulheres têm o dom da dissimulação – e isso não é novidade –, elas mesmas concordam. E devem concordar mesmo! Adianto: devem se orgulhar disso! É um dom que homem nenhum – em condições gerais – consegue ter; não, pelo menos, naturalmente. Para um homem, exigiria treino, frieza e retidão. Fora que, mesmo depois de tudo isso, corre-se o risco de não ficar falso o suficiente – já que também é sabido que as mulheres, além de serem dissimuladas por natureza, têm radares anti-mentira –.

Há quem pense que isso venha de agora! Errado! Há muito tempo é assim. Veja Dalila: cortou as tranças de Sansão – tranças essas que continham a força do mais forte homem de sua época – por se fingir de inocente e por se passar de santa. Acabou que Sansão teve de suplicar por últimas forças para derribar as colunas do templo, matando a todos e a si mesmo.

Outro exemplo mais contemporâneo e menos emblemático. Oscar Wilde – que, possivelmente, teve casos com Boesie, filho do Marquês de Queensberry; e, nem por isso, deixou de nos resumir ao cerne de uma mulher –: “(...) o único charme do casamento é fazer com que uma vida de decepções se transforme em algo absolutamente necessário às duas partes. Nunca sei onde está minha esposa, e minha esposa nunca sabe o que estou fazendo. Quando nos encontramos – e, às vezes, de fato, nos encontramos, quando jantamos fora (...) –, contamos, um para o outro, as histórias mais absurdas, com as expressões mais sérias. Minha esposa é mestra nisto; muito mais do que eu, na verdade. Jamais se confunde com datas, e eu sempre me confundo com elas..

Mesmo que o homem tente ultrapassá-la, a mulher sempre vai estar um passo à frente no que tratar de dissimulação. É fácil, natural e prosaico para ela. Além de ser um expediente muito usado contra os homens (pelo simples fato de dar certo).

Homens, homens...

2 comentários:

  1. Concordo com o que tu fala sobre dissimulação. Com certeza somos, mas o melhor é que, mesmo que os homens e as outras mulheres saibam também, eles continuam confiando em nós mulheres. Não que isso seja um erro, pelo contrário. Mas claro que às vezes precisamos passar por momentos complicados, assim, cada vez mais, nosso dom evolui. Mas não concordo com uma coisa: nós não puxamos os nossos sacos, porque não os temos. Sabemos que somos um bicho ruim, mas vocês homens não podem dizer. Quando nós dizemos, é verdade; quando vocês dizem, é a maior mentira do mundo. O fato é que mulher fala mal de homem e de OUTRAS mulheres. De nós, não falamos.

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  2. Se mulheres podem ser dissimuladas homens também podem ser ...é eterna guerra dos sexos no final só descobrimos que somos perfeitamente iguais !

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