Certo homem [meia idade, bem afeiçoado, confortavelmente colocado no seu mercado de trabalho] andava pelas estradas privatizadas. “Não temos pedágios na ida”, dizia à mulher enquanto dirigia. De fato, não tinha pedágios na ida; o que não acontecia no caminho de volta. Esquecia-se que ele vitruviava. Teve de cumprir a simetria das ruas e, na volta, pagou o [assaltante] pedágio.
Certa mulher [velha, nem tanto por rugas, mas por idade mesmo] tomava seu café. Leu as notícias e viu que um homem tinha morrido na estrada do pedágio, numa colisão contra um carro de um estudante de jornalismo. Achava irônico ele ter morrido depois de pagar o pedágio. Riu disso bastante.
Um jovem [ainda estudante da faculdade de jornalismo] leu, em um dos seus jornais favoritos, que uma mulher que acabara de tomar o café, logo depois, havia falecido de tanto rir.
Uma criança [inocente da vida] ouviu de seu pai, sem dar importância, que um jovem estudante de jornalismo havia morrido, depois de ler um dos seus jornais favoritos, num acidente de carro.
Se um homem não vitruviasse, se uma mulher não tivesse um humor tão infame, se um estudante não lesse ou comprasse seu jornal favorito, a criança não saberia de nada.
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